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Crime e Castigo

 

Aqui se faz, aqui se paga

 

A solidão e a embriaguez são amigos fieis da culpa. Não aquela que se adquire sem querer, ou aquela que se pode esquecer, mas sim aquela que domina o seu pensamento de forma tão avassaladora que não há outro caminho a não ser a vertigem de confessar seu erro e livrar-se do peso na consciência e suas mazelas.

Ródion Raskólnikov não sucumbiu nem às febres intermináveis, nem às noites mal dormidas num fétido quarto sub-locado na fria São Petersburgo do século XVIII. Suportou dois anos antes que seu crime fosse desvendado e a prisão viesse te libertar. Durante esse período fugiu de si mesmo, sombras o encaravam nas tabernas e praças, seus distantes familiares apareciam em devaneios e a febre o acompanhava dia e noites a fio sem trégua e sem piedade.

Dostóiveski disse em exílio que “é possível julgar o grau de civilização de uma sociedade visitando suas prisões”. Neste livro ele coloca a prisão dentro do homem e apresenta o que de mais humano existe na culpa e no abandono. Seus parágrafos de duas páginas internam o leitor nessa agonia incessante e o fazem refletir sobre o bem e o mal, sobre a moral e a ética de uma perspectiva real que é a falta de dinheiro.

O protagonista estudante de direito matou a machadadas duas irmãs, Alena e Isabel Ivanóvna, a primeira empenhava artigos em troca de empréstimos em dinheiro, a segunda estava lá por acaso. O crime se justifica pelo dinheiro apenas, o castigo pela moral, pela insignificância do resultado do crime, por algo que não se pode deixar de pagar ainda em vida.

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